19 julho 2015

[Resenha] Ensaio Sobre a Cegueira- José Saramago

Título: Ensaio Sobre a Cegueira
Autor: José Saramago
Editora: Companhia das Letras
Ano de Publicação: 1995
Número de Páginas: 312
Skoob: Adicione

Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma "treva branca" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas.
O "Ensaio sobre a cegueira" é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti. Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu: "uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos".



Oi gente! Tudo bem com vocês?
Antes de tudo, gostaria de informar que o projeto Saramago tem sido um desastre! Nada contra o Saramago, mas sim com a minha vida mesmo. Pretendo ler os outros livros, mas não sei quando rsrs.
Ensaio Sobre a Cegueira possui uma estória daquelas de revirar o estômago. Tudo começa com um homem no trânsito que aguarda em seu carro o sinal verde para prosseguir, só que algo acontece e ele não sai do lugar. Logo somos levados a imaginar que ocorreu algum problema com o carro, o que é algo perfeitamente normal de acontecer no dia a dia, mas dessa vez não foi bem o que aconteceu. Logo várias pessoas começam uma aglomeração ao redor do carro e tentam contato com o motorista que permanece imóvel. Ao abrir a porta do carro o indivíduo diz "estou cego".

 "Assim como o hábito não faz o monge, também o ceptro não faz o rei, esta é uma verdade que convém não esquecer."

Somos então apresentados ao Primeiro Cego. Pessoas que mantiveram contato com este cego, passam a cegar da mesma maneira que ele: inexplicavelmente e repentinamente. O interessante desta cegueira, é que ela não é comum, trata-se de uma cegueira branca, ou seja, o cego "vê" tudo branco, como se tivessem acendido todas as luzes, ao contrário da "cegueira tradicional" onde tudo fica inteiramente preto. As autoridades então resolvem isolar os cegos, com medo de uma epidemia, e as mandam para um manicômio desativado. A medida que vão surgindo mais cegos, estes são imediatamente transportados para o local e assim o caos vai tomando forma. Eles então passam a viver em condições desumanas: não há água ou comida suficiente para todos, não há camas o suficiente, não há remédios e é claro, não há organização ou limpeza. E como não há limites para pior, alguns cegos decidem tomar o "poder" de maneira violenta e então eles passam a ter um líder nojento e asqueroso que só piora a situação do local. Os cegos então passam a viver literalmente como animais, lutando por sobrevivência.


Eu não tenho palavras para descrever o nojo que senti da raça humana depois que terminei de ler esse livro. Eu não quero falar muito, por conta dos detalhes, tenho medo de estragar a sua experiência caso você venha ler esse livro. Recomendo que você tenha estômago pois ocorrerão situações que o nojo e a raiva serão inevitáveis. Mas é claro que em algumas situações serão de comemoração e felicidade, pois você acabará torcendo por eles, tenho certeza.

A maneira como livro foi escrito pode fazer com que o leitor estranhe um pouco no começo, até acostumar, por exemplo: os personagens não possuem nomes. O autor sempre os cita devido alguma referência como o Primeiro Cego, a Mulher do Médico, o Médico, etc; as falas das personagens são escritas direto, ou seja, não há travessão ou aspas, elas apenas são escritas com letras maiúsculas na mesma linha; há também algumas palavras escritas em português de Portugal mas nada disso nos impede de ler e entender perfeitamente a estória.

O livro é composto de várias reflexões e quotes legais. Saramago com toda certeza foi um gênio com a capacidade de imaginar coisas incrivelmente sensacionais.

"É desta massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade."

O livro foi adaptado para as telonas em 2008, com direção de um brasileiro, Fernando Meirelles, tendo como atores Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, Danny Glover e a também brasileira, Alice Braga. Tive a oportunidade de assistir ao filme no ano de lançamento, e pelo que me lembro, é uma obra fiel.
Com toda a certeza, recomendo a leitura dessa obra fantástica e altamente reflexiva.
um beeijo! e até o próximo post.

4 comentários:

  1. Esse livro é sensacional! Li também A Caverna desse autor, mas ainda acho Ensaio sobre a Cegueira sua obra prima.

    SUA ESTANTE
    Gatita&Cia.

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  2. Oii, já ouvi falar muito bem desse livro e várias pessoas me recomendaram ele, mas não é muito o meu estilo de leitura :/
    Quem sabe em uma outra oportunidade eu leia né? ^.^
    Nunca é tarde para se começar outros gêneros rsrs.
    Parabéns pela resenha!.
    Bjs
    http://diarioelivros.blogspot.com.br/

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  3. Oi Carol!
    realmente, algumas partes nos fazem sentir nojo da humanidade, mas até isso foi pensado pelo autor, eu acredito. É a partir dessa repulsa que passamos a enxergar cada personagem da forma como ele realmente é, nivelando todos por baixo, pelo que eles têm de pior. Em alguns momentos passamos a refletir sobre nossa própria atitude se estivéssemos na mesma situação que eles, e com certeza conhecemos pessoas que passariam para o lado dos "maus". É essa mistura de sentimentos extremos que torna a leitura única e impressionante. Todo mundo deveria ler.
    Bjos!

    Coisas que eu sei que eu sei

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